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O acervo como espelho da comunidade: uma discussão instigante na estreia da série ‘Conversando Sobre: curadoria e formação de acervos inclusivos e diversos’ - Biblioteca Viva
 

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O acervo como espelho da comunidade: uma discussão instigante na estreia da série ‘Conversando Sobre: curadoria e formação de acervos inclusivos e diversos’

A estreia da série “Conversando Sobre: curadoria e formação de acervos inclusivos e diversos”, que integra a programação do 12º Seminário Internacional Biblioteca Viva, trouxe para o debate, na terça-feira, 3 de agosto, os principais desafios para leitores, usuários e bibliotecas na curadoria coletiva para formação de acervos inclusivos e diversos em bibliotecas e espaços de leitura. E as respostas são múltiplas e instigantes. Foi o que mostrou os três relatos de experiências do dia.

 

Abrindo o fórum, a mediadora Adriana Cybele Ferrari (USP/ FEBAB), que coordenou os trabalhos com os convidados Cida Fernandez (Centro de Cultura Luiz Freire), Hosana de Moraes Santos (SP Leituras) e Maria das Graças Castro (UFG / FEBAB), contextualizou a atuação das bibliotecas no escopo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e como estes equipamentos culturais podem contribuir para o cumprimento dos ODS – os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A introdução deu o tom para as reflexões em torno do tema da discussão: Acervo pra quem? Qual a missão da Biblioteca?

 

Coleção viva reflete efetivamente os interesses do público

 

 “O curador tem, acima de tudo, um compromisso educacional com a sociedade”, destacou a professora Maria das Graças Castro (UFG / FEBAB). Lançando mão dos conceitos originais do ato de “curar” – relacionado ao zelo, cuidado e apreço -, a professora foi enfática ao defender uma postura laica da curadoria, com o desenvolvimento de uma coleção viva, que reflita efetivamente os interesses do público, inserida em processos históricos, em uma formação  de acervo que deve dar conta de inclusões, de defesas antirracistas, antimachistas e decoloniais. “A curadoria nunca é aleatória”, conclui a professora.  

 

“Cada livro tem seu leitor e cada leitor tem seu livro”, Cida Fernandes 

 

A Literatura é um direito humano. E como se constrói um acervo de Literatura? Cida Fernandez, do Centro de Cultura Luiz Freire, ilumina a discussão não dissociando o conceito de qualidade ao da diversidade, destacando a importância da sensibilização do olhar do curador para que as pessoas não só usufruam dos objetos literários, mas possam fazer deles instrumentos de desenvolvimento e aprendizado. “Cada livro tem seu leitor e cada leitor tem seu livro”, resume Cida.

 

E foi nessa linha que a gerente de acervo da SP Leituras, Hosana de Moraes Santos deu sua contribuição fundamental para o bate-papo, apresentando o processo de aquisição de acervo para as bibliotecas públicas de São Paulo geridas pela organização. “Diversidade, inclusão e acessibilidade são temas orgânicos que fazem parte do nosso processo de seleção”, destaca a gerente de acervo, acrescentando: “Além disso, estamos atentos às referências importantes, como as revistas Quatro Cinco Um e Emília, redes sociais, influenciadores, podcasts, lançamentos e prêmios relevantes da Literatura. Tudo isso para dizer, que os protagonistas são as pessoas.”. 


O olhar plural e transversal da curadoria da SP Leituras, inclui dinâmicas colaborativas diárias, envolvendo toda a equipe de acervo. Hosana adianta que o envolvimento da comunidade nos processos de curadoria estão sendo estudados e na mira da SP Leituras. “Um avanço rumo a uma visão cada vez mais ampla de curadoria”,  diz Hosana. 

A íntegra do bate-papo, você pode assistir no canal no YouTube do SisEB.


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