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A narração é construída junto com o público - Viagem Literária
Poesia: de 9 a 27 de novembro de 2020 | Contação de Histórias: de 4 a 29 de outubro de 2021

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A narração é construída junto com o público

Nas mãos do grupo Mandingueiras da Pracinha uma história tem sempre começo, meio e fim, mas o que acontece entre um ato e outro é um verdadeiro mistério, ou melhor, é o público quem decide. “O grande atrativo de contar histórias é essa construção colaborativa com a plateia. A gente não altera o enredo, o eixo central está sempre presente, mas é ótimo ir recheando a história junto com a imaginação das crianças”, contam as narradoras e professoras Camila Signorini e Paula de Castro. O objetivo desse processo de cooperação é fazer história ganhar vida. “No fim da apresentação, ela não pertence mais a quem escreveu ou a quem está contando, ela é de todo mundo.”

 

Para elas, outra função da contação de histórias é colaborar para a formação de novos leitores. “Quem nunca leu um livro começa a perceber que o universo das histórias é muito divertido.”

 

Da interação com o público, as contadoras lembram uma situação inusitada com uma criança que tinha lido o livro anteriormente e ficou indignada com a falta de personagem secundário na narração. “O enredo tinha vários animais e nós deixamos justamente esse de fora porque não era um bichinho muito conhecido, mas por algum motivo ele tocou a menina durante a leitura e ela detestou não vê-lo ali. Ficou o tempo inteiro nos questionando”, recordam.

 

Camila Signorini e Paula de Castro são especialistas em arte-educação e capoeiristas pela Associação Refúgio Cultural Capoeira Angola. Apaixonadas pela arte e cultura popular, estudam brincadeiras, danças e ritmos percussivos desde 2014. O dueto aposta na oralidade e história brasileira para contar, cantar e encantar todas as pessoas que queiram fortalecer as rodas cheias de ginga e axé.