Saiba como foi o Encontro de gestores municipais e bibliotecas em Itapetininga
Postado em 21 DE agosto DE 2017
A primeira fala foi do secretário de cultura e turismo de Itapetininga, Roberto Soares Hungria Neto, que agradeceu a presença de todos, dizendo que é um grande evento para a cidade. Como diretriz política, ele acredita que é necessário fomentar os projetos culturais já existentes e buscar ampliar a participação do público na sua cidade. Disse que a biblioteca é um dos melhores departamentos da prefeitura, que é “organizada, viva e desenvolve um excelente trabalho”.
Na sequência, a representante da secretaria da cultura, Iliria Pelissari, saudou os presentes e colocou a Unidade de Difusão Cultural, Bibliotecas e Leitura (UDBL) à disposição para colaborar com todos. Disse que o SisEB Itinerante prevê oito encontros em diversas regiões do Estado. Confira o calendário neste link. Complementou dizendo que a atual fase do trabalho será completada em 2018, quando as equipes da SP Leituras e do governo estadual vão ter visitado todas as 16 regiões administrativas do Estado.
Fez uma exposição dos programas, projetos e números do SisEB, falando de temas importantes como abrangência e acervo. Lembrou inclusive que o sistema distribui semestralmente cerca de 300 livros para as bibliotecas que solicitam kits.
Vale lembrar que as bibliotecas são o equipamento cultural mais presente na vida do cidadão paulista: somadas, tiveram no ano passado um público estimado de 5 milhões de pessoas e estão presentes em 97% dos municípios do Estado. Dado que a população de São Paulo é de 44 milhões, ainda existe um grande potencial para aumentar este atendimento, transformando as bibliotecas em centro multiculturais e de informação, focadas em ações de mediação e difusão da leitura.
O diretor-executivo da SP Leituras, Pierre André Ruprecht, relembrou o histórico e importância do sistema estadual, ressaltando que ele é desenhado como uma rede, ou seja, é feito pelas pessoas que estão na ponta de ação, com uma trajetória que fomenta e apoia as políticas municipais. Comentou também sobre o Manifesto da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o setor de livro e leitura. O documento afirma que a liberdade, prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos só serão plenamente atingidos quando os cidadãos estiverem na posse da informação para poder exercer direitos democráticos e ter um papel ativo na sociedade.
“Para colocar isso em prática, precisamos ter equipes locais ligadas na população e que a gestão municipal tenha sensibilidade para compreender a importância da biblioteca, criando um movimento na cidade. Entender que a biblioteca é um espaço dinâmico para o aprendizado, disseminação do conhecimento e um equipamento público de cultura voltado à cidadania”, disse Pierre.
Na parte da tarde, os presentes analisaram o documento Diretrizes da Política de Bibliotecas Públicas do Estado de São Paulo, que está atualmente na quinta versão. Fez-se então uma dinâmica, com uma rodada de feedback e um espaço para perguntas e respostas.
Uma das devolutivas é que além de discutir as necessidades do sistema, é necessário vinculá-las a uma política maior. É um trabalho de articular as esferas municipal, estadual e federal. Um dos maiores exemplos é a criação de um plano municipal do livro e da leitura, um processo que coloca os atores envolvidos numa mesa de discussão.
Outra questão muito presente no dia a dia é a informatização das unidades. Foram sugeridos treinamentos e capacitações, além de recursos para a compra de tecnologia, seja por meio de editais ou um investimento direto do governo estadual. Um terceiro ponto é que a biblioteca tem um importante papel na preservação da memória das cidades.
O secretário de cultura de Pilar do Sul, César Augusto dos Santos, disse que este tipo de encontro é necessário para criar diálogo entre os colegas gestores de outras cidades. Cobra também mais consistência na política deste setor do Estado. “O Plano Nacional do Livro e da Leitura deriva para os Estados e municípios. Tudo tem que estar alinhado em uma ideia. Nós queremos buscar recursos para a cidade, mas temos que estar embasados em técnicas e conceitos”, comentou.
Disse que a biblioteca é um ponto chave das ações culturais no município. O desafio é que o equipamento não tem sede física, fica localizado na prefeitura. São cerca de 50 metros quadrados, ou seja, falta espaço para comprar mais livros ou para aumentar a programação. Uma alternativa futura seria construir um complexo cultural em outro prédio. Por outro lado, atualmente existe uma forte integração da biblioteca com os frequentadores do Projeto Guri e do Acessa SP. “Isso é legal pois agrega os públicos e cria um fluxo, especialmente das pessoas que vivem na periferia”.
Em contraponto, o diretor do departamento de cultura de Itapeva, Flávio Antônio Carlos, acredita que o maior desafio ainda é a formação de público, já que a cidade está geograficamente distante dos grandes centros. Sobre o evento, ele disse que “essa descentralização regional é um grande avanço. Traz uma facilidade de diálogo para uma ação no nível regional. Temos a ideia de criar um fórum que reúnas as cidades, pois temos desafios comuns e juntos conseguimos uma força maior para reivindicar”.
Já o diretor do departamento de cultura, turismo e lazer de Sete Barras, Deca Rodrigues, acredita que ainda é necessário superar a mentalidade dos gestores que veem a cultura somente como um gasto, que não traz contrapartidas econômicas ou sociais. Para ele, o setor de leitura deve ser uma prioridade pois estimula o aprendizado. “Este evento enriquece e abre portas, cria alternativas e motiva quem trabalha em cidades pequenas. Tive acesso a muitas informações aqui”.
As anfitriãs Milene França e Talita Campos apontam na mesma direção. Elas têm um papel importante na revitalização da biblioteca de Itapetininga e acreditam que a reunião trouxe novos caminhos. “Acho que foi motivador, inspirador e renovou o gás. A riqueza deste evento é que todos estão na mesma busca”, disse Milene. “Adorei o encontro. Foi importante para as pessoas da região se conhecerem, o que pode mudar um olhar. Não é fácil, mas é possível construir uma biblioteca para todos os públicos”, finalizou Talita.
Com as contribuições sugeridas, o documento Diretrizes da Política de Bibliotecas Públicas do Estado de São Paulo está sendo construído de forma colaborativa e deve ter uma versão final quando ao atual ciclo de Encontros Regionais tiver percorrido as cidades programadas. Em 2017, o SisEB Itinerante vai visitar os municípios de Jundiaí (em 28 de agosto), Itanhaém (11 de setembro), Pindamonhangaba (25 de setembro), Presidente Prudente (27 de novembro), Birigui (28 de novembro) e Olímpia (29 de novembro).
[gallery link="file" size="medium" columns="2" ids="14617,14615,14614,14612,14611,14610,14609,14608,14607,14606,14604,14603,14602,14600,14599,14598,14597,14596,14595,14594,14593,14601,14592,14591,14590,14589,14588,14586"]
Notícias
Carnaval 2026: A literatura ganha a avenida
Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Rita Lee e Paulo César Pinheiro são homenageados
Postado em 15 DE fevereiro DE 2026
Nos 25 anos da trilogia O Senhor dos Anéis, uma entrevista com Reinaldo José Lopes, especialista em Tolkien
Tradutor de O Hobbit explica complexidade e riqueza dos livros em relação aos filmes, propõe ordem de leitura da mitologia da Terra Média e dá detalhes das influências de um dos mais importantes escritores do século XX.
Postado em 12 DE fevereiro DE 2026
Dez clássicos contemporâneos da nova literatura da América Latina
Itamar Vieira Junior, Ana Maria Gonçalves, Valeria Luiselli, Monica Ojeda: conheça os autores essenciais que renovam a tradição literária latino-americana.
Postado em 10 DE fevereiro DE 2026
Biblioteca de São Paulo é destaque em reportagem do Sesc SP
Matéria sobre bibliotecas vivas mostra BSP como espaço de leitura, cidadania e convivência
Postado em 03 DE fevereiro DE 2026


