Memórias podem ser pontos de partida para escrita e caminhos para reflexão
Postado em 04 DE junho DE 2020
O oficina foi dividida em quatro pilares: a escrita autobiográfica, a escrita de si como "tecnologia de si" (conceito recheado de significados), pontos de vista, além de memória individual e coletiva. Bianca abriu a aula falando sobre sua trajetória (como indivíduo e profissional) e passou às origens, pinçando nelas, referências em uma espécie de descrição/resumo de quem se tornou; algo que ela chamou de "ponto de partida". Ao mencionar, em especial, a avó, Bianca abriu espaço para uma conversa também sobre ancestralidade, importante elemento nesta engenharia de uma narração tão profundamente pessoal. Surgiu então o primeiro exercício que compartilhamos, aqui, para que você experimente em casa: que tal escrever um texto curto com o título "de onde eu venho"?
Como a escritora e professora Margareth Rago salienta (em citação da mediadora da oficina), tais relatos autobiográficos nos conectam com a reconstrução do passado (mesmo que na imaginação, com esta nova visitação aos fatos experimentados) e favorecem uma análise aprofundada, podendo até resultar em dar sentido ao presente. O aprofundamento destes aspectos encaminhou o encontro para o segundo exercício e Bianca propôs que os participantes narrassem uma situação vivida com outra pessoa, cuja narrativa poderia gerar conflito com este outro "personagem".
A intenção era de convidar os participantes a pensar na relação entre realidade e memória. Afinal, é tudo verdade?, questionou ela. A resposta veio de outra referência apresentada na oficina, a de Conceição Evaristo, que, no livro "Insubmissas lágrimas de mulheres", diz: "então as histórias não são inventadas? Mesmo as reais, quando são contadas? Desafio alguém a relatar fielmente algo que aconteceu. Entre o acontecimento e a narração do fato, alguma coisa se perde e por isso se acrescenta. O real vivido fica comprometido". Para tratar sobre este aspecto da tênue linha ou da mistura entre o experimentado, o sentido e o narrado, Bianca trouxe outra menção, a de Massaud Moisés: "a autobiografia penetra no território literário, mas vigiada pela contenção, que induz o prosador a erguer barreiras no desdobramento das reminiscências: ficção policiada pela razão, pelas idealizações, pelos valores, pela conjuntura socioeconômica...".
Bianca destacou que todo este debate autobiográfico tem tomado força na sociedade e pode ser também encarado como um importante discurso de poder, principalmente em um momento no qual vivemos a ebulição de movimentos que tratam de fake news e da defesa de direitos, por exemplo. O falar de si é, como ela adicionou, uma possibilidade de exercício de liberdade e de cuidado (de si e do outro).
Saiba mais sobre Bianca Santana
Bianca é autora de "Quando me descobri negra", doutora em Ciência da Informação e mestra em Educação pela Universidade de São Paulo. Ela pesquisa memória e escrita de mulheres negras e é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, onde foi professora. Colunista das revistas Cult, Gama e de ECOA-UOL, Bianca foi autora convidada na Feira do Livro de Frankfurt em 2018 e na Feira do Livro de Buenos Aires em 2019, quando também foi curadora do Festival Literário de Iguape (SP)Gostou da oficina? Perdeu esta oportunidade? Fique atento e escolha seus temas de preferência em nossa programação online em: http://siseb.sp.gov.br/agenda/. São muitas as oportunidades em atividades gratuitas (confira disponibilidade de vagas e a necessidade de pré-inscrição).
[caption id="attachment_18361" align="aligncenter" width="812"]
Reprodução.[/caption] Notícias
Carnaval 2026: A literatura ganha a avenida
Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Rita Lee e Paulo César Pinheiro são homenageados
Postado em 15 DE fevereiro DE 2026
Nos 25 anos da trilogia O Senhor dos Anéis, uma entrevista com Reinaldo José Lopes, especialista em Tolkien
Tradutor de O Hobbit explica complexidade e riqueza dos livros em relação aos filmes, propõe ordem de leitura da mitologia da Terra Média e dá detalhes das influências de um dos mais importantes escritores do século XX.
Postado em 12 DE fevereiro DE 2026
Dez clássicos contemporâneos da nova literatura da América Latina
Itamar Vieira Junior, Ana Maria Gonçalves, Valeria Luiselli, Monica Ojeda: conheça os autores essenciais que renovam a tradição literária latino-americana.
Postado em 10 DE fevereiro DE 2026
Biblioteca de São Paulo é destaque em reportagem do Sesc SP
Matéria sobre bibliotecas vivas mostra BSP como espaço de leitura, cidadania e convivência
Postado em 03 DE fevereiro DE 2026


