Da produção ao acesso, a literatura brasileira esteve no centro de encontro online
Postado em 08 DE dezembro DE 2020
Com tradução simultânea em LIBRAS conduzida por Larisse Oliveira e Daniel Dalmati, a atividade reuniu impressões de Marcelo e Tarso sobre a importância de políticas governamentais para o incentivo à leitura (inclusive de aquisição de títulos) e da ampliação do alcance de conteúdos publicados em plataformas e sites na Internet. A programação de instituições que reúnem ações relacionadas com a literatura, segundo os dois, deve ser ainda mais valorizada. Neste contexto, a relevante contribuição das escolas e dos mediadores de leitura, além das bibliotecas (públicas e escolares), não foi esquecida e recebeu detalhada análise da dupla.
Os palestrantes apresentaram e discutiram dados de pesquisas e premiações, como, por exemplo, o Oceanos que, este ano, somou 1.872 livros inscritos, publicados em 10 países e contabilizou 450 editoras, o maior entre todas as edições do prêmio. Destaque feito ao número de edições do próprio autor, que ficou em 162 livros, representando 8,6% do total de inscrições. As diferentes formas de publicar conteúdo, aliás, tomaram parte do encontro e Marcelo e Tarso ressaltaram as características e oportunidades decorrentes de cada uma delas. A auto-edição e a publicação por meio de editoras pequenas, em sistema que muitas vezes se assemelha à parceria, mereceu aprofundada apresentação, com uma série de exemplos de autores e empresas.
Fábio Roberto, professor do Ensino Médio, esteve entre os mais de 50 participantes do evento e salientou a importância da presença da literatura contemporânea nas salas de aula. Ele, que tem incorporado títulos ao dia a dia com os alunos, falou do impacto sobre as turmas. Segundo ele, chama a atenção a curiosidade, em especial, por autores com os quais os estudantes se relacionem mais imediatamente. Renata Alexasandra também ressaltou a contribuição do trabalho individual dos profissionais ligados à área, neste esforço de ampliar o alcance. Na opinião dela, as bibliotecas precisam valorizar os autores locais, deixando um espaço (acervo) com esses destaques, por exemplo. As feiras de livros com editoras independentes também foi outro aspecto lembrado por ela, que compartilhou a experiência campineira, com a quarta edição para a Feira SUB, realizada na Biblioteca Ernesto Manoel Zink.
Quer saber mais sobre os números deste setor? Veja a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, clicando aqui. A seguir, você confere mais informações sobre os palestrantes:
Marcelo Lotufo é crítico literário, prosador, tradutor, editor, doutor em Literatura Comparada pela Universidade de Brown (Estados Unidos) e pesquisador pós-doutor em História da Literatura na Unicamp. Traduziu para as Edições Jabuticaba que tempos são estes e outros poemas, de Adrienne Rich, Os elétrons (não) são todos iguais, de Rosmarie Waldrop, e ‘Sotto Voce’ e outros poemas, de John Yau. Editou, para as Ediciones Santiago, o volume La selección: 11 poetas brasileños hoy. Trabalha como curador em eventos literários do Goethe-Institut São Paulo.
Tarso de Melo é poeta e ensaísta, doutor em Filosofia do Direito pela USP. É autor dos livros Íntimo desabrigo (Alpharrabio, Dobradura, 2017), Dois mil e quatrocentos quilômetros, aqui (com Carlos Augusto Lima; Luna Parque, 2018) e Rastros (martelo casa editorial, 2019), entre outros. Organizador de diversas obras coletivas, como Sobre poesia, ainda: cinco perguntas, cinquenta poetas (Lumme, 2019) e Antologia Poética CULT (2), e curador de atividades literárias em São Paulo.
Foto: Reprodução.
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