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17º Seminário Internacional Biblioteca Viva reúne centenas de profissionais para debater sustentabilidade e cidadania

Postado em 11 DE junho DE 2026
Crédito: Anderson Nascimento / SP Leituras

O 17º Seminário Internacional Biblioteca Viva encerrou a sua programação consolidando-se como um marco no debate sobre o papel estratégico das bibliotecas públicas diante da crise socioambiental e a urgência de repensar os espaços de leitura. Sob o tema "Bibliotecas Verdes: Consciência Socioambiental e Ação Cidadã", o evento registou um total histórico de 1.071 participações de 127 municípios brasileiros, abrangendo 88 cidades do estado de São Paulo e 39 de outros estados. O evento é realizado pelo SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo), programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela SP Leituras, que atua na articulação, apoio e qualificação da rede de bibliotecas paulistas.

Dia 1: Lançamentos, segurança alimentar e saberes tradicionais

Realizado no Centro de Convenções Rebouças, o primeiro dia do evento reuniu centenas de profissionais e marcou o anúncio público do "SP Leitores", o novo selo editorial e audiovisual da SP Leituras. O primeiro título da coleção, Notas de Biblioteca #19 — Vivas, Verdes e Sustentáveis, foi distribuído gratuitamente aos participantes. A abertura contou com intervenções de Valéria Valls (SP Leituras) e Jenipher Queiroz de Souza (Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas), que destacaram as bibliotecas como agentes de transformação social e ambiental.

A palestra inaugural foi proferida por Vivian Puerta (Colômbia), que apresentou um modelo assente em quatro pilares para a construção de bibliotecas verdes: governança, infraestrutura, educação e articulação comunitária. O programa prosseguiu com a partilha de projetos de extensão em comunidades ribeirinhas e quilombolas. À tarde, Patricia Constante Jaime abordou a alimentação como direito social, enfatizando o papel das instituições no combate à desinformação e na promoção da segurança alimentar. O encerramento do dia trouxe uma reflexão sobre oralidade e resistência, com Bel Santos Mayer e Hermes de Sousa a reivindicarem o saber tradicional como ciência legítima.

Dia 2: Decolonização do pensamento e a Agenda 2030

O segundo dia aprofundou a ligação entre sustentabilidade, inovação social e decolonização. A investigadora Nathalice Bezerra Cardoso (Alemanha) apresentou um modelo prático estruturado em eixos de infraestrutura, gestão e serviços para a transição ecológica, disponibilizando uma calculadora para diagnosticar o impacto das bibliotecas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A representatividade e a diversidade indígena foram os temas centrais da mesa que reuniu Geni Núñez, Kaká Werá e Rita Carelli. O painel explorou como a escrita tem sido utilizada como ferramenta de autoria e afirmação de novos modos de existir. A agenda do dia contou ainda com a participação de Susana Silvestre (Portugal), que debateu o alinhamento das estratégias aos critérios ESG e o envolvimento comunitário. As reflexões sobre agricultura urbana com Claudia Visoni e as estratégias de mobilização juvenil de Fernanda Marques demonstraram que a escuta ativa e o contacto com a terra são indissociáveis de uma gestão democrática. O dia terminou com apresentações de forte impacto territorial, abordando a Quilomboteca Osvaldina Valadares, a Rede Beija-flor e o projeto Biblioarte, voltado para estudantes em privação de liberdade.

Dia 3: Formação técnica, cursos e experiências práticas

O último dia do seminário foi dedicado inteiramente à formação técnica e ao intercâmbio de experiências, com atividades descentralizadas que ocuparam os espaços da Biblioteca de São Paulo (BSP) e da Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL). No período da manhã, a BSP acolheu o 4º Fórum Rede Clubes de Leitura SisEB, onde Suilan de Sá e André Gravatá debateram como a escuta ativa transforma as dinâmicas das comunidades leitoras.

A programação incluiu cursos especializados focados em acessibilidade, captação de recursos e na tradução de diretrizes globais de sustentabilidade em ações diárias de impacto social. Os participantes realizaram também visitas técnicas guiadas pelas instalações da BSP e da BVL, conhecendo de perto os projetos socioambientais que renderam à Biblioteca Parque Villa-Lobos o reconhecimento internacional no IFLA Green Library Award. O dia contou ainda com uma apresentação especial da BibliON, a biblioteca digital do Estado, mostrando a integração entre os acervos físico e digital. O encerramento oficial reuniu o público para um balanço final desta edição e o tradicional sorteio de prémios.

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