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Compartilhar humanidades - Viagem Literária
Poesia: de 9 a 27 de novembro de 2020 | Contação de Histórias: de 4 a 29 de outubro de 2021

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Compartilhar humanidades

Nas histórias os personagens vivenciam aventuras mil, fazem estripulias, têm poderes mágicos. Mas o que o público sequer desconfia é que ele é o grande protagonista do espetáculo. O músico e artista visual Warley Goulart, do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias, explica que o andamento de qualquer contação depende diretamente da interação com o público. “Depende da idade das crianças, da sua condição social, do conteúdo que ela compartilha. Sempre digo que contar histórias não é uma atividade da boca para fora. É do ouvido para dentro. A escuta é uma das formas mais ancestrais de participação”, ensina.

 

Para Warley, o brilho nos olhos das crianças faz com que ele se sinta completamente realizado com a profissão escolhida. Além disso, ressalta o aspecto histórico de preservar as memórias orais e transmiti-las para outras gerações. “As histórias antigas são radiografias de determinadas culturas e eu sou o veículo que compartilha essas humanidades”, diz.

 

Para complementar a encenação das histórias, o grupo utiliza vários adereços, como tapetes, painéis, malas, aventais, caixas e livros de pano. Em uma das apresentações, Warley recorda de um garoto de uns 9 anos perguntar se era ele mesmo quem costurava os tapetes. Diante da resposta afirmativa, o menino argumentou se o trabalho não era coisa de menina. “Esse questionamento me marcou muito porque contém vários estereótipos e aí eu respondi que tudo o que é feito com as mãos não pertencem a meninas ou meninos. São das mãos.”

 

O grupo criado há 20 anos produz contações de histórias, espetáculos, oficinas e exposições interativas a fim de despertar o gosto do público pelas artes e leitura. Pesquisam contos de tradição oral, literatura infanto-juvenil, intersecções entre texto e têxtil, e as manifestações plásticas que os povos criam como cenários para suas narrativas.