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Com abertura pelo poeta Julio Cesar da Costa, o webinar “Literatura indígena: a produção autoral contemporânea e seus ensinamentos”, promovido na tarde de 29 de junho, integrou a programação do Festival Literário do Vale do Ribeira e do projeto Literatura Brasileira no XXI, realizado em parceria com a UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo). Para estimular reflexões e aprendizados sobre o sistema literário indígena no Brasil, seus ensinamentos e especificações, o encontro apresentou uma visão panorâmica sobre o tema. O cenário detalhado por Julie Dorrico, que conduziu a atividade, foi do período no qual tais textos passam a circular no País, até o tempo de reconhecimento de escritores e escritoras indígenas. Com mediação de Fábio Martinelli Casemiro, o webinar contou com tradução simultânea em Libras.

Não foi por acaso que Julie e Casemiro foram escolhidos para a programação. Ambos estão intimamente ligados ao assunto do encontro e falam com propriedade sobre as raízes e os desdobramentos culturais das questões dos povos originários. Julie é doutora em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, autora de ”Eu sou macuxi e outras histórias” e também atua como pesquisadora e curadora de Literatura Indígena. Idealizadora da página @leiamulheresindigenas no Instagram, ela comanda canal no Youtube intitulado Literatura Indígena Contemporânea. Já o mediador Casemiro é poeta, músico, professor de história e de literatura. Mestre e doutor em Teoria Literária pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), ele atualmente estuda as representações de natureza na literatura brasileira, em seu trabalho de pesquisa de pós-doutorado no curso de Letras da UNIFESP.

Julie destacou a presença de autores dedicados ao tema em todas as regiões brasileiras, e, entre eles, Daniel Munduruku, Kaká Werá, Eliane Potiguara e Aílton Krenak. Como salientou a participante Ana Lúcia Merege, da Fundação Biblioteca Nacional, desconhecemos muitos escritores que não são publicados por editoras de médio e grande porte. “Há muita produção regional que nos escapa”, acrescentou. Para ressaltar as transformações ocorridas com a literatura indígena, a palestrante reuniu as obras em dois grandes períodos de autorias: a coletiva e a individual. E fez questão de frisar que houve tempo em que os povos originários eram uma espécie de coadjuvantes na criação literária, conduzida por outros. Atualmente, disse Julie, a situação é outra, e a presença de escritores indígenas marca território dos verdadeiros donos dessa voz.

A palestrante abriu espaço para interpretar textos de Yaguarê Yamã (do livro “Kurumi Guaré no coração da Amazônia”), de Denízia Cruz (“Kariri Xocó: contos indígenas”), de Daniel Munduruku (“Mundurukando”), entre outros. E tratou igualmente das temáticas abordadas pelos escritores, como a questão do tempo, que vai além dos assuntos relacionados aos aspectos da natureza em si.

Julie resumiu o que aprendemos ou deveríamos aprender com a literatura indígena e que poderia ser um ponto de partida para aprofundar o assunto. Lembrou que há escritores dedicados ao tema em todas as regiões brasileiras e destacou que são 274 as línguas indígenas no País (portanto, não há uma só voz). E, portanto, que são muitas as visões dos povos, que vão da filiação à terra ao relacionamento do humano com o não humano. Também tratou de incluir nesse rol uma crítica política ao agronegócio, que incide diretamente nos direitos dos povos originários. Durante o webinar, Julie ainda compartilhou dicas de leitura e fontes de pesquisa. Entre elas, constaram a Livraria Maracá, link para busca de livros teóricos de autoria indígena (Editora Fi) e bibliografias de publicações indígenas no Brasil listadas por autores.

O vídeo com a íntegra do webinar está disponível no canal do YouTube do SisEB, onde você encontra conteúdo que pode ser de seu interesse. Perdeu esse encontro online? Fique de olho em nossa programação, e inscreva-se em próximas oportunidades, na aba agenda, aqui no site. Importante acrescentar que o Festival Literário do Vale do Ribeira, com o tema “heranças, presenças e horizontes”, vai até 3 de julho, e você encontra detalhes no site, no YouTube e no Instagram. O evento traz ainda dicas de leitura, que constam em https://oficinasculturais.org.br/flionline2021indica/.

 

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