Sexta-feira, 26 de outubro, foi o último dia do seminário Mediação: Cultura, Leitura e Território. Às 9 horas da manhã, Camila Cabete (Kobo), Eduardo Albano (Ubook), Jacques Fux (escritor) e Talita Taliberti (Amazon Brasil) se reuniram na mesa-redonda mediada por Pierre André Ruprecht (SP Leituras) e refletiram sobre a mediação da escrita da leitura na era digital.

O debate entre empresas de distribuição e desenvolvimento tecnológico para difundir a leitura digital e o escritor Jacques Fux resultou em reflexões profundas sobre a era digital, a autopublicação, distribuição e divulgação de novas obras e reconhecimento de autores ainda não consagrados no universo literário.

Camila Cabete iniciou a fala da mesa com relatos de sua trajetória profissional e os anseios com a chegada do livro digital no Brasil. Com medo da mudança, Camila – que trabalhou muito tempo em editora e com livros impressos – imergiu nas inovações tecnológicas e descobriu que o livro digital veio para ajudar, principalmente no aspecto da distribuição.

Passando a fala para Talita Taliberti, o debate foi caminhando para além das facilidades de acesso ao livro quando digitalizado. As reflexões passaram a questionar o tempo disponível do leitor e as concorrências que o livro enfrenta com outros aplicativos de entretenimento, como programação streaming e jogos digitais. “Não estamos brigando pelo livro, estamos disputando o tempo das pessoas”, reforça Talita.

Seguindo com as questões sobre os impactos e facilidades que o desenvolvimento tecnológico proporciona aos seus usuários, Eduardo Albano falou sobre a difusão do conhecimento e da literatura com o aumento dos livros em áudio. Além de aproximar as obras àqueles que não estão habituados com a leitura, amplia o mercado para pessoas com deficiência.

Dentro desse contexto empresarial, a experiência de Jacques Fux foi enriquecedora. O escritor falou com maestria sobre a internet, o processo de democratização do conteúdo e suas experiências em plataformas de autopublicação.

Autor do livro Literatura e Matemática, Fux apresentou domínio da tecnologia e da literatura. Trouxe referências como: a ideia do escritor Jorge Luis Borges de que a biblioteca é um mundo infinito comparável à internet; os livros de Georges Perec, Le Grand Palindrome e o Sumiço, comparados com as complexidades da computação; e, citando livros que direcionam o leitor a lugares ou outras literaturas, faz relação direta com o que conhecemos hoje no mundo digital como hipertexto.

A mesa concluiu que literatura e tecnologia andam juntas. “A literatura é um ambiente para todos e a internet é um ambiente democrático para todos”, afirma Jacques Fux.

A programação do seminário, organizado pelo SisEB contou com diversas mesas, palestras e oficinas que geraram momentos de discussão e reflexão sobre o cenário da leitura no Brasil e no mundo.