Realizada pelo SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo), a palestra com a especialista francesa Agathe Kalfala lotou o auditório da Biblioteca de São Paulo, na manhã de hoje, dia 11 de outubro. Cerca de 80 pessoas, entre bibliotecários, pedagogos e outros profissionais que trabalham com bibliotecas, estiveram por aqui com um só interesse: compreender melhor a relação entre adolescentes e esses espaços de leitura, aprendizado e cultura.

Coordenadora da associação Lecture Jeunesse, sediada em Paris, Agathe falou sobre os atuais desafios quando o assunto é trazer adolescentes para dentro das bibliotecas. Com a atenção disputada pelo Facebook, Youtube, Instagram e Snapchat, por exemplo, esse nicho da população procura temas específicos de interesse e aderência com o que é oferecido nesses espaços. De acordo com a especialista, ouvir os desejos desse segmento é o primeiro passo para a compreensão do que é necessário construir para atrair esse público.

Afinal, por que essa preocupação com a leitura? Por que querer que os adolescentes leiam? A resposta de Agathe é direta: “Os adolescentes leem, eles já leem, mesmo que não seja a única coisa que façam na vida, porque têm outras preocupações: de inserção, de reconhecimento, de pertencimento, estão nessa fase de ter deixado a infância. Quando digo que os adolescentes já leem, digo porque temos, muito rapidamente, a impressão que eles não leem nada. Oras, eles leem! Eles só não leem aquilo que para nós – adultos – é referência.”

Sobre esse aspecto, aliás, a especialista lembra que até a catalogação desse conteúdo, para ser ainda mais atraente, deve procurar seguir conceitos alinhados com o cotidiano dos adolescentes e não os tradicionais / acadêmicos. A ambientação também contribui nesse aspecto de atração. Agathe apresentou slides com imagens de bibliotecas de outros países nas quais há espaços temáticos para esse nicho da população (uma biblioteca em Oslo utilizou cabines de esquis na decoração para favorecer experiências divertidas e únicas no momento da leitura) e até customizados para determinado gênero literário (romance era o apresentado nas fotos). A palestrante lembrou que, em visita aos espaços da BSP, reconheceu ali, nas tendas coloridas do térreo, várias dessas experimentações ligadas às faixas etárias.

Ao final do encontro, Agathe abriu espaço para experiências bem sucedidas no Estado de São Paulo. A pedagoga Marilena Nakano apresentou um livro de fotos e poesias sobre emoções, que nasceu de uma atividade realizada a partir da visita de um francês em biblioteca viva localizada em território de Santo André (SP). Em Jundiaí e Barueri (SP), as bibliotecas adotaram eventos temáticos geeks, de cosplay, atividades ligadas ao RPG e obtiveram sucesso em atrair esse público adolescente.

Para saber mais sobre a associação Lecture Jeunesse, acesse http://www.lecturejeunesse.org/

Foto: Equipe SP Leituras.

Foto: Equipe SP Leituras.

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