Parte da programação de aniversário de 10 anos da Biblioteca de São Paulo, a segunda edição do Workshop Internacional Mediação: Uma Biblioteca para Hoje e para Todos teve início nesta quinta-feira, com as duas primeiras mesas de cinco previstas para discutir o papel e o futuro das bibliotecas contemporâneas. O auditório da BSP ficou cheio nas duas mesas.

A primeira mesa, Uma Biblioteca para Hoje e para Todos, teve participação do jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, da educadora social Isabel Santos Mayer e de Pierre André Ruprecht, diretor-executivo da organização social SP Leituras, que administra as bibliotecas de São Paulo e Parque Villa-Lobos, além do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB). A mediação ficou a cargo de Amanda Leal de Oliveira, idealizadora e coordenadora do premiado projeto Piracaia na Leitura.

Com mais de 40 livros publicados, Brandão desfilou seu bom humor ao enumerar as três bibliotecas fundamentais de sua vida: a de seu pai, na cidade natal de Araraquara, composta de mil livros comprados na capital; a da escola, que tinha livros como os clássicos infantis da coleção Melhoramentos, e a municipal, que chegou a proibir, por ordem do prefeito, o empréstimo de livros de Jorge Amado para mulheres. “Se existisse uma biblioteca como a BSP na minha época, eu não ganharia o Jabuti, seria capaz de ganhar o Prêmio Nobel”, brincou o autor de “Não Verás País Nenhum” (1981) e membro da Academia Brasileira de Letras.

A educadora Isabel Santos Mayer, do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) e da Rede LiteraSampa, falou de algumas de suas experiências na periferia, no bairro de Parelheiros, Zona Sul de São Paulo. Em especial da ocupação da casa abandonada do coveiro no Cemitério de Colônia, onde foi construída uma biblioteca para servir a comunidade e onde se desenrola uma programação intensa. “Falamos de vida num lugar de morte”, observa ela. “A biblioteca de hoje é a biblioteca do encontro, a que quebra paradigmas. Por isso, também, passamos a usar a nomenclatura interagente, porque os visitantes são convidados a interagir. Além disso, não tem livro proibido, não temos pacto com a censura.”

Diretor-executivo da SP Leituras, Pierre André Ruprecht falou de sua experiência à frente das bibliotecas de São Paulo, onde se realiza o workshop, e do Parque Villa-Lobos. Para ele, a biblioteca viva é um conceito que acompanha a revolução tecnológica, a proliferação das redes sociais. “É um Ovo de Colombo total, porque tira o foco do acervo e coloca o foco nas pessoas”, diz ele. “Fazer isso não é tão simples como falar. É uma volta à Ágora (o centro comercial, social e religioso das antigas cidades gregas). Mas tenho certeza de que a biblioteca que espera para alguém ir lá e emprestar um livro vai morrer.”.

Realizado pelo SisEB, com execução da SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, o evento tem como objetivo principal a formação geral e crítica de profissionais das áreas da biblioteca, leitura e literatura para atuar no campo da mediação.