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Em oficina na BSP, Chacal festeja verso livre e celebra o rap como voz da periferia e da era digital - Viagem Literária
Poesia: de 9 a 27 de novembro de 2020 | Contação de Histórias: de 4 a 29 de outubro de 2021

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Em oficina na BSP, Chacal festeja verso livre e celebra o rap como voz da periferia e da era digital

Um dos expoentes da poesia marginal no Brasil, Chacal encerrou em São Paulo seu roteiro no primeiro módulo do 13º Viagem Literária, "Poesia: Oficinas e Bate-papos com Escritores". No dia 13, ele passou pela Biblioteca de São Paulo para ministrar uma aula e para conversar com os leitores. O evento contou com a presença de alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Vereador Antônio Sampaio.

"Não sou acadêmico, meu conhecimento vem de escrever", começou Chacal, cujo nome verdadeiro é Ricardo de Carvalho Duarte. "O que posso transmitir para vocês é o tesão pela palavra, o tesão pela poesia."

Na oficina, realizada na parte da manhã, Chacal falou sobre sua carreira como poeta. Disse que começou a escrever poesia por influência de Oswald de Andrade, expoente do Modernismo na literatura brasileira. "Não gostava de poesia, gostava de prosa", revelou. "Lia muita prosa, adorava Guimarães Rosa."

Em 1971, publicou em mimeógrafo "Muito prazer, Ricardo" e, no ano seguinte, "Preço da Passagem", dando início à Poesia Marginal no Brasil. Lançou 14 livros, entre eles "Belvedere", Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte (2008). Estreou como ator e autor com o monólogo autobiográfico "Uma História à Margem", realizando apresentações em diversos países. 

Para Chacal, a poesia tradicional, definida pela métrica, pela rima e pelo ritmo, foi definitivamente suplantada pela cristalização do verso livre nos anos 1970. "Nessa época, a poesia se enxugou", disse ele. "Tornou-se mais bem humorada, à luz de Oswald de Andrade. E não foi só a poesia: o cinema, o teatro e outros setores das artes, também." 

Para ilustrar o que disse, Chacal apresentou alguns poemas que considera simbólicos dessas mudanças, que perduram até hoje:

"Jura" (Roberto Schwarz)
Vou me apegar muito a você
Vou ser infeliz
Vou te chatear
"Shan Hsiu" (Zuca Sardan)
Havia um monge
Que lustrava a careca
Para que sua cabeça
Fosse como um espelho
Refletisse tudo
E não guardasse nada

Chacal falou ainda sobre o rap, que teria dado uma sobrevida à poesia: "Embora não seja considerada poesia, é. Antes era o cordel a manifestação popular da poesia, agora é o rap. O rap trouxe a voz das periferias. Mas não só. trouxe também a voz da era digital. Isso é admirável".

Promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB), o programa é realizado pela Organização Social SP Leituras.