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'Poesia se faz com palavras e não com sentimentos ou sensações', diz Ronald Augusto em oficina na BVL - Viagem Literária
Poesia: de 9 a 27 de novembro de 2020 | Contação de Histórias: de 1º a 19 de março de 2021

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'Poesia se faz com palavras e não com sentimentos ou sensações', diz Ronald Augusto em oficina na BVL

Escritor, poeta, músico, ensaísta e filósofo, Ronald Augusto foi um dos convidados do primeiro módulo do 13º Viagem Literária, "Poesia: Oficinas e Bate-papos com Escritores", a se apresentar em São Paulo. Sua oficina, "Tópicos sobre a função poética da linguagem", e o bate-papo com o autor aconteceram no dia 12 de novembro, na Biblioteca Parque Villa-Lobos.

As temáticas presentes no repertório de Augusto referem-se à poesia contemporânea, poesia visual e literatura negra no Brasil. Ele publicou em revistas literárias nacionais e internacionais. É autor dos livros "Homem ao Rubro", "Puya", "Vá de Valha", "Confissões Aplicadas", "No Assoalho Duro", "Oliveira Silveira: poesia reunida", entre outros. Co-fundador da Editora Éblis, é editor do site Sibila e tem colaborações nos cadernos de cultura do Diário Catarinense e jornal Zero Hora.

Na oficina, Ronald falou das diferentes funções da linguagem comunicativa e poética e citou Carlos Drummond de Andrade para explicar a diferença: "A prosa é a linguagem de todos os instantes; a poesia é a linguagem de alguns instantes". E continuou: "A poesia tem uma função estética, porque está ligada ao prazer. A satisfação vem da descoberta do jogo da linguagem. Quando isso acontece, estamos fruindo a poesia". 

Para o autor, a  literatura contemporânea é um território muito amplo e repleto de contradições. Embora muito praticada, diz ele, a poesia tem importância menor do que a prosa na dinâmica das consagrações e dos apagamentos patrocinados pelo mercado livreiro-editorial. "A prosa tem mais prestígio do que a poesia", afirma. "Prosadores são reconhecidos mais cedo do que poetas. Geralmente, as grandes editoras publicam poetas mortos.Felizmente, existem as pequenas editoras que abrem espaço para os poetas." 

Ronald, no entanto, vê na adversidade uma oportunidade. Para ele, o relativo descaso do mercado em relação à poesia acaba conferindo a ela uma importância particular: "Ou seja, por receber menos atenção, os poetas têm a chance de arriscar mais no trabalho inventivo com a linguagem, com isso não ficam presos a nenhuma espécie de modelo determinado externamente. Acredito que essa é e sempre foi a importância da poesia no quadro mais ampla das literaturas através dos tempos. A poesia cria novos modelos de sensibilidade".

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