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Para Eliane Marques, poesia é 'ato originário da linguagem, que não se esgota e nem se fecha' - Viagem Literária
Poesia: de 9 a 27 de novembro de 2020 | Contação de Histórias: de 1º a 19 de março de 2021

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Para Eliane Marques, poesia é 'ato originário da linguagem, que não se esgota e nem se fecha'

Poeta, ensaísta, coordenadora da Escola de Poesia e editora da revista Ovo da Ema, Eliane Marques está entre os convidados do primeiro módulo do 13º Viagem Literária, "Poesia: Oficinas e Bate-papos com Escritores". Entre 9 e 27 de novembro, a autora e outros 14 poetas percorrerão 61 bibliotecas de 60 cidades, incluindo a capital paulista, ministrando oficinas e em conversas com o público. Confira o roteiro da escritora ao fim do texto. 

Promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB), o Viagem Literária é realizado pela Organização Social SP Leituras. O programa foi finalista do 62º Prêmio Jabuti, na categoria Fomento à Leitura, dentro do eixo Inovação.

Eliane publicou "Relicário" e "E se alguém o pano" (Prêmio Açorianos de Literatura 2016). Com outras autoras lançou "Arado de Palavras e Blasfêmeas: mulheres de palavra". Traduziu "O Trágico em Psicanálise". 

Atualmente, ela trabalha na tradução do livro "Pregón de Marimorena", da poeta uruguaia Virginia B. de Salas (Figura de Linguagem) e finaliza o seu poemário "O poço das Marianas" (Escola de Poesia). 

A seguir, Eliane antecipa, em duas perguntas, um pouco de sua visão sobre a poesia:

Qual a importância da poesia na literatura contemporânea?

A poesia é mais e menos que forma ou gênero literário. É ato originário de linguagem, que não se esgota nem se fecha, que quanto mais se mostra, mais se esconde e margeia. Nesse ponto, inconfundível com a língua, embora com essa se relacione num campo de permanente tensão e conflito.

Num momento em que se esperam da ciência ou da religião respostas a todas as questões que nos rodeiam, em que estamos enclausurados em explicações científicas ou à espera delas, tanto que nem podemos respirar; num momento em que tudo está marcado por uma língua de determinação que transforma a “qualquer coisa” em assunto, mais a poesia se torna importante, não como aquilo que está, mas como aquilo que falta.  

E o que falta? Um espaço que não seja outro âmbito também de judicação, de inquisição, de julgamento; mas sim de abertura para dizer o que não pode ser dito ou vivido nesses outros campos onde qualquer palavra é refém de um determinante. 

A poesia importa para preservar o assombro diante da falta de explicação de que alguma coisa seja ou não seja, especialmente agora que estamos num labirinto onde as janelas são apenas as da linguagem autorreferida do Windows.

Segundo a psicanálise, somos mortais porque falamos, porque a linguagem nos constitui. Pois bem, a linguagem poética é aquela possível de outra linguagem estranha ao terreno duro da constituição como único, como idêntico a si mesmo; portanto, de modo diverso das ciências, que nos trancam num suposto real, a linguagem poética enseja a invenção de outro real, avesso ao campo do verdadeiro e do falso. Fazendo esse movimento de nos jogar contra os limites da língua, ela renova e permite respirarem as gentes, as ciências e os outros campos da arte.

Quais são os poemas que a gente deve ler para se iniciar nessa forma literária?

Se partimos do pressuposto de que o poema é estranho à linguagem da adjudicação, o primeiro passo para responder à questão exige que se considere esse pressuposto. Portanto, não há poemários ou poemas que devemos ler antes de outros, porque, se assim afirmarmos, abandonaremos o campo do poema e entraremos no campo da lei, do direito, do que “deve ser”. A única lei a ser respeitada é a do rechaço ao poema único, ao poeta único, à escola única, ao continente, país, gênero ou cor únicos.

Além de Eliane Marques, fazem parte do primeiro módulo do 13º Viagem Literária os escritores Allan da Rosa, Bruna Berber, Chacal, Daniel Minchoni, Dinha, Jonas Samaúma, Lubi Prates, Patrícia Meira, Pedro Marques, Renato Negrão, Rodrigo Ciríaco, Ronald Augusto, Ryane Leão e Wilberth Salgueiro. 

O segundo módulo, "Contação de Histórias: Contos Populares", que acontece de 1º a 19 de março de 2021, percorrerá circuito semelhante.

Desde que o Viagem Literária começou, em 2008, foram percorridos 218 municípios paulistas, com 207 convidados, atingindo a um total de mais de 340 mil pessoas. Foram bate-papos, oficinas, rodas de contação de histórias e outros eventos que fizeram conhecimento circular no Estado de São Paulo.

Confira o roteiro de Eliane Marques:

Oficinas às 14h30 | Bate-papos às 19h 

23/11 – Barão de Antonina - Biblioteca Profa. Sueli Wippich de Campos

24/11 - Fartura - Biblioteca Prof. Roberto Moreira

25/11 - Pardinho - Biblioteca de Pardinho

26/11 - Tatuí - Biblioteca Brigadeiro Jordão

27/11 – Itapetininga - Biblioteca Dr. Júlio Prestes de Albuquerque 

A programação completa, com os artistas e grupos de artistas que fazem parte da etapa estão no site do programa: www.viagemliteraria.org.br.

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