No romance Farenheit 451, do escritor norte-americano Ray Bradbury, uma sociedade embrutecida e anti-intelectual começa a queimar todos seus livros. Preocupados com a perda do conhecimento, da cultura e da arte, um grupo da comunidade começa a memorizar livros inteiros, passando-os adiante entre si. Cada um se torna portador de uma história e receptor de muitas outras, formando uma verdadeira biblioteca humana.

Este foi o tema da palestra Inovar em bibliotecas públicas: como chegar a novos públicos, os esquecidos, apresentada por Ramón Salaberria no 8º Seminário Biblioteca Viva em 9 de novembro de 2015, em São Paulo. O palestrante é um dos dirigentes da Biblioteca Vasconcelos na Cidade do México, onde a prática do livro humano vem sendo aplicada com grande sucesso desde 2014.

Como resultado direto daquela palestra, na edição seguinte do Seminário Biblioteca Viva, a bibliotecária Carina Pahim, de Charqueadas /RS, apresentou um painel com o relato da reprodução da mesma atividade na Biblioteca Pública Municipal Professora Vera Maria Gauss. Assim como no México, a novidade foi muito bem aceita pela comunidade local.

Ficou claro para todos que a experiência aproxima as pessoas que frequentam a biblioteca, promove a circulação de conhecimentos não registrados da cultura local, além de evidenciar uma melhora na autoestima pelo sentimento de pertencimento/reconhecimento entre as pessoas-livros e pessoas-leitoras.

A biblioteca humana é experiência que vale a pena conhecer.

Veja como ela acontece na Biblioteca Vasconcelos da Cidade do México.