Na segunda-feira, 14 de agosto, o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB) promoveu o segundo Encontro Regional de Gestores Municipais e Bibliotecas de 2017, na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, na cidade de Itapetininga. A ideia era debater políticas públicas da Secretaria da Cultura, apresentar uma série de serviços e ações que o sistema realiza em parceria com as unidades municipais e alinhar as expectativas dos agentes culturais na busca de melhores soluções. Estiveram presentes 20 participantes de 13 cidades, entre gestores das áreas da cultura e educação, bibliotecários e profissionais de bibliotecas, salas de leitura ou de programas de incentivo à leitura.

A primeira fala foi do secretário de cultura e turismo de Itapetininga, Roberto Soares Hungria Neto, que agradeceu a presença de todos, dizendo que é um grande evento para a cidade. Como diretriz política, ele acredita que é necessário fomentar os projetos culturais já existentes e buscar ampliar a participação do público na sua cidade. Disse que a biblioteca é um dos melhores departamentos da prefeitura, que é “organizada, viva e desenvolve um excelente trabalho”.

Na sequência, a representante da secretaria da cultura, Iliria Pelissari, saudou os presentes e colocou a Unidade de Difusão Cultural, Bibliotecas e Leitura (UDBL) à disposição para colaborar com todos. Disse que o SisEB Itinerante prevê oito encontros em diversas regiões do Estado. Confira o calendário neste link. Complementou dizendo que a atual fase do trabalho será completada em 2018, quando as equipes da SP Leituras e do governo estadual vão ter visitado todas as 16 regiões administrativas do Estado.

Fez uma exposição dos programas, projetos e números do SisEB, falando de temas importantes como abrangência e acervo. Lembrou inclusive que o sistema distribui semestralmente cerca de 300 livros para as bibliotecas que solicitam kits.

Vale lembrar que as bibliotecas são o equipamento cultural mais presente na vida do cidadão paulista: somadas, tiveram no ano passado um público estimado de 5 milhões de pessoas e estão presentes em 97% dos municípios do Estado. Dado que a população de São Paulo é de 44 milhões, ainda existe um grande potencial para aumentar este atendimento, transformando as bibliotecas em centro multiculturais e de informação, focadas em ações de mediação e difusão da leitura.

O diretor-executivo da SP Leituras, Pierre André Ruprecht, relembrou o histórico e importância do sistema estadual, ressaltando que ele é desenhado como uma rede, ou seja, é feito pelas pessoas que estão na ponta de ação, com uma trajetória que fomenta e apoia as políticas municipais. Comentou também sobre o Manifesto da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o setor de livro e leitura. O documento afirma que a liberdade, prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos só serão plenamente atingidos quando os cidadãos estiverem na posse da informação para poder exercer direitos democráticos e ter um papel ativo na sociedade.

“Para colocar isso em prática, precisamos ter equipes locais ligadas na população e que a gestão municipal tenha sensibilidade para compreender a importância da biblioteca, criando um movimento na cidade. Entender que a biblioteca é um espaço dinâmico para o aprendizado, disseminação do conhecimento e um equipamento público de cultura voltado à cidadania”, disse Pierre.

Na parte da tarde, os presentes analisaram o documento Diretrizes da Política de Bibliotecas Públicas do Estado de São Paulo, que está atualmente na quinta versão. Fez-se então uma dinâmica, com uma rodada de feedback e um espaço para perguntas e respostas.

Uma das devolutivas é que além de discutir as necessidades do sistema, é necessário vinculá-las a uma política maior. É um trabalho de articular as esferas municipal, estadual e federal. Um dos maiores exemplos é a criação de um plano municipal do livro e da leitura, um processo que coloca os atores envolvidos numa mesa de discussão.

Outra questão muito presente no dia a dia é a informatização das unidades. Foram sugeridos treinamentos e capacitações, além de recursos para a compra de tecnologia, seja por meio de editais ou um investimento direto do governo estadual. Um terceiro ponto é que a biblioteca tem um importante papel na preservação da memória das cidades.

O secretário de cultura de Pilar do Sul, César Augusto dos Santos, disse que este tipo de encontro é necessário para criar diálogo entre os colegas gestores de outras cidades. Cobra também mais consistência na política deste setor do Estado. “O Plano Nacional do Livro e da Leitura deriva para os Estados e municípios. Tudo tem que estar alinhado em uma ideia. Nós queremos buscar recursos para a cidade, mas temos que estar embasados em técnicas e conceitos”, comentou.

Disse que a biblioteca é um ponto chave das ações culturais no município. O desafio é que o equipamento não tem sede física, fica localizado na prefeitura. São cerca de 50 metros quadrados, ou seja, falta espaço para comprar mais livros ou para aumentar a programação. Uma alternativa futura seria construir um complexo cultural em outro prédio. Por outro lado, atualmente existe uma forte integração da biblioteca com os frequentadores do Projeto Guri e do Acessa SP. “Isso é legal pois agrega os públicos e cria um fluxo, especialmente das pessoas que vivem na periferia”.

Em contraponto, o diretor do departamento de cultura de Itapeva, Flávio Antônio Carlos, acredita que o maior desafio ainda é a formação de público, já que a cidade está geograficamente distante dos grandes centros. Sobre o evento, ele disse que “essa descentralização regional é um grande avanço. Traz uma facilidade de diálogo para uma ação no nível regional. Temos a ideia de criar um fórum que reúnas as cidades, pois temos desafios comuns e juntos conseguimos uma força maior para reivindicar”.

Já o diretor do departamento de cultura, turismo e lazer de Sete Barras, Deca Rodrigues, acredita que ainda é necessário superar a mentalidade dos gestores que veem a cultura somente como um gasto, que não traz contrapartidas econômicas ou sociais. Para ele, o setor de leitura deve ser uma prioridade pois estimula o aprendizado. “Este evento enriquece e abre portas, cria alternativas e motiva quem trabalha em cidades pequenas. Tive acesso a muitas informações aqui”.

As anfitriãs Milene França e Talita Campos apontam na mesma direção. Elas têm um papel importante na revitalização da biblioteca de Itapetininga e acreditam que a reunião trouxe novos caminhos. “Acho que foi motivador, inspirador e renovou o gás. A riqueza deste evento é que todos estão na mesma busca”, disse Milene. “Adorei o encontro. Foi importante para as pessoas da região se conhecerem, o que pode mudar um olhar. Não é fácil, mas é possível construir uma biblioteca para todos os públicos”, finalizou Talita.

Com as contribuições sugeridas, o documento Diretrizes da Política de Bibliotecas Públicas do Estado de São Paulo está sendo construído de forma colaborativa e deve ter uma versão final quando ao atual ciclo de Encontros Regionais tiver percorrido as cidades programadas. Em 2017, o SisEB Itinerante vai visitar os municípios de Jundiaí (em 28 de agosto), Itanhaém (11 de setembro), Pindamonhangaba (25 de setembro), Presidente Prudente (27 de novembro), Birigui (28 de novembro) e Olímpia (29 de novembro).