Os dois minicursos com especialistas estrangeiros foram a maior novidade do 8º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias (Seminário Biblioteca Viva). O evento acontece entre os dias 9 e 11 de novembro e é promovido pelo SisEB com a parceria da SP Leituras. Os minicursos aconteceram no período da tarde e dividiram o público, que teve que optar por ouvir a espanhola Inés Miret falar sobre tecnologia e leitura ou compartilhar das experiências de Rámon Salaberria, da Biblioteca Vasconcelos, no México.

Inés disse que nas bibliotecas de todo mundo os públicos infantil e adulto são presença massiva. Mas indaga em como atrair o público jovem. Ela explica que essa pergunta tem mais dúvidas do que respostas e que os jovens querem ser protagonistas, mas têm que encontrar na biblioteca um espaço que seja uma referência para a mediação.

Contou também sobre o conceito de terceiro lugar, que é um termo cunhado pelo pesquisador americano Ray Oldenburg e que designa espaços atrativos que não são o trabalho e a casa, tais como bares, salões de belezas e shoppings. Ela se pergunta: por que as redes sociais têm tanto sucesso entre todos os públicos?

“Umas das respostas é que as redes sociais se parecem com os terceiros lugares. As bibliotecas, então, têm que buscar ser esse terceiro lugar. Temos que tentar a construção conjunta de possíveis caminhos e fazer pontes. Este curso, por exemplo, é uma rede em que cada um de nós é um nó”, comentou.

Já Rámon Salaberria promoveu uma troca de experiências entre o Brasil e o México. Ele comentou sobre um projeto chamado Biblioteca Humana, que na verdade são voluntários que contam sua história de vida para outras pessoas e podem ser emprestados como livros-humanos. O projeto já abordou a questão de gênero, a história da vizinhança da biblioteca e até as memórias de trinta anos de um terremoto.

“A biblioteca não é apenas um lugar de livros e documentos, mas sim o lugar da palavra. Ela tem a função de ser uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e comunitário”, disse, ao afirmar que cerca de 45% dos jovens com mais de 18 anos no México têm apenas nove anos de escolaridade; mas que deste universo, apenas 6% frequentam as bibliotecas mexicanas. “Temos que dar igualdade de acesso independente de condição social, especialmente em países com grandes diferenças de renda”, disse.

 

MANHÃ
A mesa-redonda sobre extensão em biblioteca marcou as primeiras atividades na manhã. Para o debate foram convidados os especialistas Elizabeth Franco Biondo, que falou sobre o projeto Dia de Ler Todo Dia de Barueri; Pierre André Ruprecht, que comentou sobre os projetos de extensão da SP Leituras; e Vera Saboya, que contou as experiências das bibliotecas parques no Rio de Janeiro.

A segunda atividade da manhã foi a apresentação de painéis. O primeiro era um projeto de sobre leitura e gestação realizado na capital paulista e o segundo foi uma experiência em mídias digitais no Tocantins e Goiás. Também foram expostos o projeto de Ourinhos (SP) sobre educação física para pessoas com mais de 50 ano; a produção de uma oficina de quadrinhos em Itatiba (SP); e a modernização de biblioteca promovida em Lençóis Paulista (SP).