O quadrinista e empresário Mauricio de Sousa e diversos convidados nacionais e estrangeiros foram o ponto alto deste primeiro dia do 7º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias (Seminário Biblioteca Viva). O evento que começou nesta segunda-feira, 17 de novembro, acontece até o dia 19. O seminário é realizado pela Secretaria da Cultura do Governo de São Paulo, por meio de sua Unidade de Biblioteca e Leituras (UBL), e executado pela SP Leituras.

Após a abertura, com a fala do Secretário Estado da Cultura, Marcelo Mattos de Araújo, a primeira palestra foi um panorama sobre as bibliotecas colombianas. A convidada Sílvia Castrillón, da Associação Colombiana de Leitura e Escrita (Asolectura), brincou, dizendo que ia falar mais dos desafios e frustrações, do que os acertos no país sul-americano. “Para que servem as palavras, se elas abrem a porta errada? Queremos incentivar a leitura como um meio que busque sentido, que mostre quem somos e nosso lugar no mundo”, comentou a colombiana.

Mauricio de Sousa subiu ao palco falando que seria uma pessoa diferente se não frequentasse biblioteca da sua cidade quando criança. Ainda jovem, chegava a ler um livro por dia. Quando se mudou para São Paulo, mostrou ao editor de arte do jornal Folha de S. Paulo alguns dos seus desenhos. O editor lhe disse: “desista! Desenho não dá dinheiro”. Mas ele perseverou e hoje comanda uma empresa com 200 funcionários, que é responsável por 86% do mercado brasileiro, com atuação em mais de vinte países, e que edita cerca de 2 milhões de livros em parceria com 22 editoras brasileiras. “O livro é o momento nobre da literatura. Sempre quis publicar livros”, comentou, ao contar diversos causos e entreter a plateia.

 

MAIS GIBIS

A parte da tarde do Seminário Biblioteca Viva também discutiu as HQs como forma de arte e de entretenimento. O chileno Gonzalo Oyarzún, do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas do Chile, falou que a leitura mais pedida nas bibliotecas chilenas são os gibis do personagem Condorito, popular no país. “Muitos acham que a leitura de gibis não contam. Como se os livros fossem a única leitura que existe. Algumas HQs são mais populares entre os adultos e jovens do que em crianças. Os quadrinhos são uma ferramenta para conquistar e dinamizar outros tipo de leitura”. A fala de Gonzalo encontrou eco na da brasileira Patrícia Pina, da Universidade Estadual da Bahia, com quem ele dividiu a mesa-redonda. Para ela, “o leitor é aquele que pode ler várias linguagens e muitos professores não estão preparados para ensinar usando quadrinhos.”

A experiência da Catalunha foi o tema da palestra de Carme Fenoll, que trabalha neste setor para o governo da região da Espanha. Ela afirma que lá as bibliotecas são os equipamentos mais próximos do público, especialmente nas pequenas cidades, mas não são os que mais atraem visitantes. A sugestão dela é dinamizar essa relação entre leitor e visitante de biblioteca. Entre os projetos, estão palestras com editores de livros para bibliotecários, clube de leituras voltados para teatro e música para jovens, uma troca de experiências a Wikipedia, e até uma parceria com vinícolas. “Mas nada disso seria possível sem as pessoas. O capital humano é o mais importante.”

Para finalizar, foram realizados os painéis, em 15 minutos, com a exposição de diversos cases de sucesso de bibliotecas no Brasil. Confira a programação de terça-feira, 18 de novembro, no link.