Em maio, a alemã Hannelore Vogt, diretora da Biblioteca Pública de Colônia (Alemanha), esteve no Brasil, compartilhando sua grande experiência sobre makerspaces e bibliotecas, estimulando o desenvolvimento de novas ideias para aplicação entre os brasileiros. Realizado pelo SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo) e Goethe-Institut – São Paulo, o encontro – intitulado “Makerspaces e bibliotecas: explorar, incluir, criar e compartilhar” -, realizado na BVL, reuniu cerca de 20 pessoas, com diferentes interesses e de diversos pontos do Estado de São Paulo.

Da Praia Grande, por exemplo, vieram representantes da Biblioteca Porto do Saber. Sempre atenta aos eventos do SisEB e ansiosa pelo aprendizado, a equipe do litoral paulista dividiu experiências com quem se deslocou do interior do Estado como Clarice Selles, da biblioteca do Colégio Anglo Cassiano Ricardo, de São José dos Campos (SP); com Cecília Gillio, que trabalha com iniciativas inclusivas na Fundação Dorina Nowill na capital paulista; com Nádia Hammerding, sempre atenta ao desenvolvimento de novos projetos que envolvam literatura e bibliotecas; com bibliotecários recém-formados como Eva Dutra; com Antônia Marlúcia Martins Gomes, do Galpão de Cultura e Cidadania, de São Miguel Paulista (SP), e Mayara Souza, do Projeto Casulo, do Real Parque, na zona Sul da capital paulista, entre outros.

O encontro teve início com palestra e exemplos do que vem sendo realizado na Biblioteca Pública de Colônia, um espaço que foi, como salienta Hannelore, abraçado pela comunidade local e conta com apoio de empresários da região, que contribuem não só como voluntários em atividades, mas também com suporte às vezes até mesmo financeiro para a realização de programas e aquisição – ou doação – de equipamentos. Quem participou do workshop fez praticamente uma visita virtual pelas instalações da biblioteca alemã. Hannelore detalhou as atividades realizadas por lá, algumas delas ainda bem longe de nosso universo como as que estimulam os jovens e as crianças com realidade virtual, 3D (a especialista trouxe peças criadas em impressoras tridimensionais – veja as imagens abaixo), a presença de cães-“leitores” (especialmente bem-vindos pelos pequenos autistas, por exemplo), noites de lazer e conhecimento no espaço etc.

      
Foto: Equipe SP Leituras                                                                    Foto: Equipe SP Leituras
 

Quem achava que iria apenas apreender saberes em uma palestra, foi surpreendido pela proposta de exercícios. Divididos em grupos, os participantes criaram projetos a partir de ideias surgidas ali e que “conversassem” com a realidade de cada uma das equipes. Rodiziando entre as mesas de trabalho, todos contribuíram de alguma forma na totalidade dos projetos, potencializando as iniciativas que, conforme viu-se ao final, são plenamente realizáveis. Tudo sob a supervisão e com o entusiasmo de Hannelore, que fez questão de acompanhar cada uma das mesas, sem, porém, interferir nos passos dados pelas equipes.

       
Foto: Equipe SP Leituras                                                                    Foto: Equipe SP Leituras                              

 

Confira, a seguir, um rápido bate-papo com Hannelore:

– Como você vê o futuro das bibliotecas? Como as bibliotecas podem trilhar um caminho seguro para o futuro?
O acesso igualitário para o conhecimento tem se desenvolvido muito além da palavra escrita. A educação no século 21 inclui alfabetização digital e o uso de novas tecnologias; e redes sociais são essenciais para a participação integral em nossa sociedade. Nesse contexto, Educação STEM (STEM = Science, Technology, Engineering and Mathematics – Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) vem ganhando mais e mais importância em função da escassez de qualificações. Bibliotecas não são apenas lugares cheios de livros, mas espaços de vibrantes experiências. Atualmente, as pessoas não querem ser apenas passivas e, sim, protagonistas das atividades! Portanto, nosso lema deve ser explorar, criar e compartilhar e nossa missão a de promover a liberdade para as descobertas.

– Foi sua primeira vez na Biblioteca Parque Villa-Lobos. Como especialista, quais foram suas impressões?
Eu realmente gostei muito da biblioteca. É um espaço tão luminoso e aberto quanto modernamente equipado. Acho que vocês estão já vivendo a ideia de engajamento da comunidade – recebendo todos esses grupos (como o de yoga). Vi pessoas de todas as idades utilizando a biblioteca como ambiente de trabalho e também como lugar “de estar, de viver” – como na cafeteria ou na área externa. Senti que o espaço é vivo e que vocês vêm realizando relevantes atividades, como se vê com os programas para as crianças menores.

– Como nossas bibliotecas podem receber, igualmente bem, crianças, jovens e os idosos?
Pessoas de diferentes idades têm diferentes necessidades – como os pequenos nos programas de alfabetização, os que preenchem a lacuna digital etc. Bibliotecas têm diferentes papeis atualmente como lugares de: inspiração, aprendizado e encontro.
Nos últimos anos, bibliotecas tornaram-se espaços ativos destinados à experimentação e inspiração e pontos de encontro; e as que são referência no setor prestam atenção a esse fenômeno. As pesquisas indicam que a fórmula tem se deslocado de “coleção” para “conexão”. O novo paradigma é que as bibliotecas estão se movendo de “coleções” para “criações”. Ambas – “a conexão” e “a criação” – são importantes metas para esses espaços.
Há um crescente número de atividades nas bibliotecas que são iniciadas por usuários, e que envolvem um grande escopo de frequentadores – de crianças até os sêniores. Há atividades focadas na criatividade de muitos tipos com variedade de temas, tópicos e de interesses. Programas envolvem colaboração e inspiração em um ambiente seguro (controlado), com participantes aprendendo, conhecendo-se e construindo relações e conexões com a comunidade.

– Na sua opinião, qual é a fórmula para transformar bibliotecas em espaços públicos top?
Não há uma fórmula que sirva para todos. Mas acho que temos que olhar para fora da caixa, vislumbrar os desenvolvimentos em outros campos, perguntar o que os visitantes – usuários – querem e integrar as ideias vindas daí ao nosso trabalho final. Nós temos tentado novas experiências, abraçado novas ideias e sido pró-ativos.
Com as respostas, Hannelore dá dicas de como expandir o que já temos em busca de novos parâmetros para as atividades que realizamos em nossas bibliotecas. Esperamos, então, todos termos aprendido mais – e compartilhado da mesma forma – ideias e experiências que possam multiplicar os saberes que vão além das paredes desses espaços que, como a Biblioteca Parque Villa-Lobos, recebem, todos os dias, uma população que deseja ser surpreendida.

 

Para saber mais, acesse:
Facebook SiSEB: https://www.facebook.com/sisebsp/
YouTube SiSEB: https://www.youtube.com/user/SisEBSP
Goethe-Institut São Paulo: https://www.goethe.de/ins/br/pt/sta/sap.html

Biblioteca de Colônia, Alemanha: http://www.stadt-koeln.de/leben-in-koeln/stadtbibliothek/index.html

Vale lembrar que makerspaces são espaços para o qual convergem as pessoas dispostas a criar a partir do compartilhamento dos conhecimentos de cada um; são locais onde se reúnem os dispostos a criar, estimular e explorar ideias a partir de experiências trazidas para o grupo.