Foto:  Daniele Torres ilustra a aula apresentando exemplos de projetos culturais de diferentes portes e características
Crédito: Equipe SP Leituras

Já pensou em montar uma exposição fotográfica que reconte a memória da sua cidade? Ou que tal criar um jogo que faça referência às características físicas do território e envolva alunos do ensino fundamental? As bibliotecas municipais são um espaço propício não só para guardar livros, mas para a vivência de atividades culturais como essas. Mas organizar ideias criativas e colocá-las no papel em forma de projeto, pode representar um desafio. Se tem interesse em motivar ainda mais o público que frequenta a sua biblioteca, veja o que diz uma especialista no assunto.

“A elaboração de projetos culturais não vem acompanhada de receita ou modo de fazer”. A autora da frase é a museóloga Daniele Torres, do Cultura e Mercado, que liderou a capacitação “Projetos Culturais: elaboração, planejamento e gestão”, na Biblioteca de São Paulo, no dia 30 de abril.

Com atuação profissional em projetos em diferentes áreas, Daniele acumula experiência de 20 anos e a sensibilidade para assegurar que o projeto, seja ele pequeno ou grande, nasce de um conceito, um propósito. Subverter essa ordem, colocando a captação de recursos à frente, pode representar um risco de criar um projeto para agradar exclusivamente aos investidores.

Com o propósito definido, você vai precisar de equipe. Geralmente, o grupo de trabalho é pequeno, mas ter um quadro multidisciplinar faz muita diferença. Cada um, com suas habilidades e experiência, contribui para enriquecer o projeto.

“Para começar, faça-se algumas perguntas essenciais. Elas servirão de roteiro e darão pistas sobre a viabilidade do projeto. O quê? Por quê? Onde? Para quem? Quando? Quanto? Como avaliar?”, indica Daniele.

A ideia está em primeiro lugar, mas o autor do projeto pode – e deve – pesquisar, a partir da fase de planejamento, o histórico de projetos similares a fim de verificar se eles obtiveram captação, como foram viabilizados. Dessa forma, vai sendo construído um esboço de captação. “Mas atenção à regra número 1 da captação, citada pelo captador de recursos do terceiro setor, Marcelo Estraviz: conte com pelo menos 3 fontes diferentes de financiamento”.

Não dê pouca importância à definição da audiência. Ela ajudará a enxergar quem são seus potenciais investidores na medida em que você ajusta seu público ou localidade onde vai realizar o seu projeto.

O projeto ficou pronto? O ideal é marcar uma reunião presencial para fazer a apresentação. “Mas cuidado com as regras das empresas, ao entregar projetos que são quase presentes. Ou trambolhos, como foi o caso uma vez, na Vale, em que cada um dos gestores da equipe de cultura recebeu uma grande panela de barro cheia de bombons de cupuaçu”, relembra.

Para quem chegou até aqui, no texto, ou acompanhou a capacitação até o final, Daniele resume: “Não há fórmula mágica para fazer projetos relevantes. A melhor dica que eu dou é: fazer, exercitar, errar e começar de novo”.