A segunda-feira, 9 de novembro, foi a data de abertura do 8º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias (Seminário Biblioteca Viva), evento que acontece até o dia 11 é promovido pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB) e SP Leituras. A fala inicial coube ao secretário estadual de cultura Marcelo Mattos Araújo, que destacou a importância das discussões promovidas por esse seminário e que os debates enriquecem os profissionais e líderes do setor.

Seguindo a programação, a primeira palestra foi de Ramón Salaberria, da Biblioteca Vasconcelos, no México. Ele comentou sobre acessibilidade em bibliotecas, mas não para pessoas com deficiência e, sim, para aqueles que ainda não tem um letramento completo. Para ele, é necessário mostrar para o público sem uma escolaridade completa que a biblioteca pode ser um lugar de apoio e de suporte.

Na sequência, a segunda fala foi do premiado escritor Cristóvão Tezza. Ele leu um texto sobre a importância das bibliotecas em sua vida e as classificou como “um espaço central da civilização”. Destacou que em países como o Brasil a “leitura e a escrita nunca foram fenômenos de massa”. Finalizou o seu comentário dizendo que ” a literatura é o que mostra ao leitor o valor das coisas e aumenta a compreensão do mundo”, ressaltando o trabalho dos profissionais do segmento.

A primeira mesa-redonda foi sobre mediação. Uma das primeiras definições sobre o tema foi de Cayo Honorato, professor da UNB, que disse: “a mediação tem a função de ligar a arte com o público, para estimular a participação a ponto de mudar o jogo social”. Ainda nesta mesa-redonda, Marisa Lajolo, do Mackenzie e Unicamp, destacou a mediação como um elo entre obras, público e autor. “Temos tantos encontros literários e dizem que não lendo mais. Será que estamos sendo incompetentes em difundir o livro ou estamos na verdade lendo mais?”, indaga ela, com a resposta que sim, estamos lendo mais e melhor.

A primeira palestra da tarde foi marcada pela presença da espanhola Inés Miret. Ela conversou sobre o poder da tecnologia e o impacto delas na função social da biblioteca. Definiu a rede como “uma selva amazônica de conversações sobre livros, entretanto algumas dessas conversas são invisíveis para nós”. Também falou sobre os fenômenos de resenhas literárias, especialmente em vídeos, processo que ficou conhecido como booktubers.

Disse que esses novos atores são, em parte guiados pelo mercado editorial, mas às vezes, têm mais força e relevância do que as mais avançadas técnicas de marketing. “Os jovens leem por prazer. Mas eles estão sempre em busca de um mentor, para ajudar a se definirem”, finalizou, ao falar que cabe as bibliotecas ocuparem este papel de mediação.

O final do dia foi marcado pela apresentação de painéis de 15 minutos com a apresentação das melhores práticas do setor. Três deles são do estado de São Paulo: Birigui, que falou sobre contação de histórias; Tarumã, que explicou o projeto Piquenique Literário; Itanhaém, que falou sobre uma bibliotecária de quase 80 anos que era analfabeta até os 65. Dois painéis são de fora do estado: os profissionais de Belo Horizonte (MG) falaram sobre acessibilidade, ao passo que a bibliotecária de Belém explicou sobre uma parceria com o Capes para auxílios nas doenças psicossociais.