As palestras da tarde desta quinta-feira, 5 de dezembro, mostraram que a tecnologia pode ser uma importante aliada na formação de público das bibliotecas. Os palestrante ressaltaram que a informática é uma ferramenta de ensino e aprendizagem, ou seja, um meio para conquistar a adesão, especialmente dos jovens.

O case mais expressivo é o da Biblioteca de Charlotte Mecklenburg. A instituição conseguiu um bom conjunto de doações para montar cerca de 20 bibliotecas públicas em Charlotte, na Carolina do Norte (EUA). A representante e diretora do programa Lifelong Learning (Aprendizado por toda a vida), Michele Gorman, chorou após destacar os avanços de alguns alunos.

A rede de cursos de extensão para diferentes tipos de público é outra das conquistas. Michele ressaltou que o grande objetivo é atingir o público jovem, especialmente os de renda mais baixa e com poucas perspectivas de futuro. As bibliotecas têm cursos diversos: de cinema, música e até mesmo um laboratório hacker, que ensina conceitos de eletrônica para construir aparelhos, como um mini-helicóptero.

Este é um dos motivos para a alta frequência das bibliotecas: cerca de 60% da população possui cadastro, o que gera cerca de 3 milhões de visitas ao ano. Somente o site obtém 29 milhões de acessos. “Priorizamos o público jovem e queremos gerar um lugar seguro para que eles possam aprender, criar e crescer”, disse, ao comentar que existem cerca de 30 disputadas vagas para estagiários e monitores na instituição.

Michele comentou ainda que a criatividade é a habilidade que mais vai ser exigida dos jovens nas próximas décadas. Um dos projetos dos alunos é produzir um programa de rádio em parceria com uma estacão local. Outro curso livre mostra os caminhos da indústria da moda e tem uma parceria com a Semana de Moda da cidade para apresentar as melhores coleções. Por fim, a biblioteca mantém um estúdio de animação, com objetivo de criar games e filmes.

“A biblioteca tem que ser uma voz ativa na comunidade e introduzir novas formas de ver o mundo por meio das ideias que mudam e transformam uma vida. Nós podemos fazer a diferença todos os dias, estimulando a inovação e a criatividade. E fazemos isso com o auxílio da tecnologia, pois é a ferramenta que os jovens querem usar. Mas ressalto que é preciso diferenciar o papel do livro e o da leitura. Para estudar nos nossos cursos, os alunos têm que ler e pesquisar muito sobre diversos temas”, explicou Michele.

Ela comentou também sobre a formação dos funcionários da Biblioteca de Charlotte Mecklenburg. Nos Estados Unidos é comum uma graduação heterogênea, mas a maior parte dos colaboradores tem pós-graduação em Biblioteconomia. Entretanto, o maior cuidado dos recrutadores é buscar profissionais que tenham uma preocupação social e que consigam engajar a comunidade.

 

Qual o valor de um tablet?

O escrito e contador de histórias Cesar Obeid também falou sobre tecnologia no Seminário Biblioteca Viva. Indagou ao público qual o valor de um celular ou tablet e afirmou que as tecnologias são perecíveis e mutantes. Para ele, perenes são as histórias e memórias passadas de pais para filhos. Cesar dedica suas atividades à difusão da literatura infantojuvenil e uma de suas linhas de pesquisa é o cordel e o repente. Ao fim da apresentação, ele fez um demostração de repente e brincou com a plateia.

 

Advocacy

Marcello Fragano Baird, da ONG Sou da Paz, falou sobre Advocacy. Ele diferenciou o conceito de advocacy do de lobby. Afirmou que é necessário que os bibliotecários busquem defender seus interesses junto ao governo e à sociedade. E mostrou exemplos de como fazer, por meio de ações como a realização de encontros e seminários ou mesmo fazendo pressão na opinião pública e na mídia.
O Seminário Biblioteca Viva termina nesta sexta-feira, 6 de dezembro. As atividades começam a partir das 9 horas.