Na manhã da desta quinta-feira, 15 de maio, a Secretaria de Estado da Cultura promoveu palestra com a especialista em bibliotecas, Sue Wilkinson. Trata-se de uma iniciativa conjunta com o Conversas ao Pé da Página (ciclo de seminários que tem como premissa o intercâmbio de experiências e de conhecimentos em torno da literatura, leitura, livros para crianças e jovens e formação de leitores), British Council (organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais) e a SP Leituras. O encontro foi proveitoso para trocar experiências entre os brasileiros e a inglesa, que elogiou os profissionais daqui, cujos “olhos brilham” quando se trata de biblioteca e livros.

 

Sue Wilkinson é diretora executiva da Reading Agency, agência responsável por desenvolver as políticas e estratégias da organização na área de promoção da leitura no Reino Unido, trabalho feito em parceria com diversas organizações, incluindo editoras e bibliotecas públicas.

 

Com formação na área de museus, Sue  foi uma das mentoras de uma metodologia para mensurar os impactos dos museus no aprendizado dos cidadãos ingleses. A tarefa levou três anos para ser concluída e envolveu cerca de 500 pessoas. Há três meses como diretora da Reading Agency, ela agora quer implementar a mesma ferramenta – já usada em países como Estados Unidos e Irã – para averiguar o impacto da leitura entre os britânicos.

 

A agência – que conta com 25 funcionários – tem diversos programas de incentivo à leitura e em parceria com as bibliotecas públicas do Reino Unido. Somadas, as ações atingem cerca de 1 milhão de jovens e crianças e distribuem cerca de 250 mil livros somente em um evento. “Acredito que as coisas mudam quando a gente lê. É possível inspirar novas ideias e criar uma possibilidade de futuro. Se a criança não lê, é como um jardim secreto que ela não consegue aproveitar”, comentou Sue.

 

Embora os programas da agência tenham estrutura comum, cada biblioteca no Reino Unido tem autonomia para modificar e adaptá-los para a sua realidade. Uma das iniciativas, por exemplo, é criar nas escolas um tempo de 30 minutos para leitura por puro prazer. Para dar certo, é realizado um trabalho prévio com as bibliotecas e professores.

 

Outra ideia visa incentivar a leitura nas férias escolares por meio de competição. Existem também ações para o incentivo e a curadoria de leitura, feitas por adolescentes voluntários, que dão exemplo e incentivam os mais jovens a gostar de ler.

 

A agência também é adepta de novas tecnologias e administra diversos portais com jogos e plataformas sociais de clubes de leitura virtuais, para que o leitor encontre conteúdos extras sobre obras lidas, e possa comentar e compartilhar experiências.

 

Durante a palestra, Sue organizou dinâmica com os profissionais de bibliotecas brasileiros com o intuito de trocar experiências. Ela ficou extremamente empolgada com as iniciativas brasileiras, como os ônibus-bibliotecas  ou as fotos de usuários das bibliotecas publicadas nos jornais de pequenas cidades. Sue acredita que é necessário buscar novos leitores onde eles estão.

 

Por fim, a palestrante também falou que os desafios no Brasil são parecidos com os do Reino Unidos. “Todas as bibliotecas devem ter a mesma visão. Falar sobre leitura e mostrar como isso é importante. Um ponto que acho fundamental é que se os profissionais de bibliotecas não lerem, vai ser difícil convencer os outros a praticar a leitura, especialmente os mais jovens”, finalizou, ao seguir a tradição britânica de terminar o encontro pontualmente no horário combinado.